quinta-feira, 30 de outubro de 2014

NÃO TER TEMPO



Já não tenho tempo para delongas
Muito menos tempo a perder com pessoas rasas
O meu tempo é curto
Então, visto-me cor preta
Antecipo o luto
Mudo não escuto
Talvez o alto choro do mundo
Mas ponho os aparelhos de mergulho
Afundo-me nas pessoas profundas
E, não me preocupo com as ondas
Elas são tão superficiais como capas
Ou quiçá as manchetes falseadas
Recheio sem gosto e notícia sem prova
Sem o lide completo

Não tenho tempo para desculpas
Tenho que ser proativo e fazer tudo muito rápido
Também tenho mais passado que futuro
Uma coisa é certa
Nunca finco os pés em acrives
Muito menos fico em cima do muro
Visto um traje de campanha
Por vezes até o de campana
Mas não durmo em cama
De prego é pouco para quem sequer tinha teto
O chão é o limite do coturno
Sou mais noturno que diurno
Não adio nada, nem o terceiro turno
Coexisto na existência do Outro
Aprendi que ter resiliência não custa caro
Pago o preço do jogo
Mas também brefo tal qual galinha de angola
Mas não quer dizer que seja fraco
Cacife baixo é a taxa da graça
Insisto com a vida somente por pirraça
Não ter tempo é um saco
Somente para quem não tem esperança
VIVO...


Catraca Livre carregou um novo vídeo.
Lembrando Rubem Alves, Suassuna e João Ubaldo.
Impossível não ficar mexido e emocionado com essas palavras de sabedoria suprema apresentadas pelo mestre Abujamra.
Texto: Ricardo Gontijo

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