sexta-feira, 20 de novembro de 2015

RAÍZES

Minhas misturadas raízes
Clamam por igualdade racial
Apesar de termos alma livre
Apesar de sermos possuidores de Espírito Livre
E de vivermos em um país democrático
Nossa história registra inúmeros casos de discriminação
Que nenhuma borracha ou apagador
Possam suprimir de nossa memória
Vamos recontar a nossa história
Daqui para frente sem novos abusos?

CONSCIÊNCIA NÃO DEVERIA POSSUIR COR

A difícil missão de conviver com pessoas podemos até superar, mas é impossível viver em paz frente a tantas formas de discriminação e preconceito.
Viva as diferenças e os diferentes!
Devemos respeitar a cada ser humano por igual independente da cor de sua pele, posição social, preferência sexual e de clero. Para realmente sermos iguais, temos que mudar de atitude e tolerar mais as pessoas e aceitá-las da maneira que elas são. Qualquer forma de segregação deve ser repudiada, bem como qualquer tipo de violência deve ser punida e exigida a devida retratação até evoluirmos o suficiente para não cometer abusos ou crimes contra a vida humana tratando todos com respeito e dignidade.
Seja você o agente da mudança
Senado Federal
7 h
O Dia da Consciência Negra é comemorado no dia 20 de novembro em referência à morte de Zumbi dos Palmares, último líder do Quilombo dos Palmares. Comemorada há...
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

INOCENTE CORAÇÃO

Posso não entender muito da vida
Mas de amor e carinho entendo muito bem.
Meu bem querer é pequeno
Grandioso aos adultos olhos
Pode ser apenas o meu gesto
Solidariedade humana
Amor em preto e branco
Para colorir a vida
Apesar da lama
Apesar do descaso
Apesar da dor...
Joana Rodrigues
8 minInstagram
Essa menininha e sua família tiveram a casa toda alagada, e ela se recusou sair de dentro sem salvar a vida de seu cachorrinho. Quem aí achou linda a imagem?!

PINTURA

Aqui dentro
No limite da moldura
O tempo sujeito inexistente
Não passa
Não lava
E, muito menos, seca
Apenas refresca
Fica na memória
A tinta e as rubras cores
Contam a sua história
Dentro da cartola
Aguardo a vida atemporal
Apesar do aparente congelamento
Das forças das natureza
Com e sem interação
O silêncio registra cada momento
Modifica a paisagem afora
Enquanto a vida passa
Sôfrega, silente e inerte
Também do lado de fora...

PASSAR, PASSAR...

(Para a minha outra metade: Anita Nunes)
Passo a vida
Passando
Porque de passagem
Não fico
Passo...
Faço deste ofício
Um passatempo
Passando e entornando
No entorno dos tecidos
Nem sei quantas vezes
Tais peças já foram passadas
No ritmo e compasso da TV
Passo a roupa
Não pelas portas
Passo
Borda por borda
Até os bordados
A única coisa que não passo
É renda
Muito embora a distribua
Menos enquanto a roupa
Passo...

terça-feira, 17 de novembro de 2015

MINAS SÃO TANTAS E QUANTAS MINAS HÃO DE MINAR?

MINAS SÃO TANTAS
Thackyn Poeta
Thackyn Braga
Minas são tantas e quantas minas hão de minar?...
Nas propagandas políticas
Vemos de tudo um pouco
Imagens montadas em vídeo
Com cenários cinematográficos
Paisagens imaginárias
Tudo em alto e bom som
Áudio impecável e vídeo em alta definição
Nosso mundo irreal e virtual
São tantas Minas
Que ficamos perdidos
E não sabemos em qual moramos
E aonde residimos
Que resistimos
Essa é a única certeza
São tantas minas
Que os manos piram
Nem sabem qual mina minar
Minas cercada por minas
Explodimos em minas
No solo antes fértil
Que ainda há de minar
Minas são tantas
Quantas minas hão de minar?...
Acauã Rodrigues Dos Santos
5 hSão PauloEditado
Mineração e tragédias em Minas Gerais. Até quando?
Promotor Marcos Paulo Miranda - MG
Minas Gerais tem o seu próprio nome ligado à mineração, atividade que durante o apogeu do ouro e do diamante sustentou, em boa parte, a economia de Portugal. Nos dias de hoje, sem a fartura de pedras e metais preciosos, o minério de ferro é uma das bases da economia do Estado. Mas um lado funesto decorrente das atividades minerárias ao longo de mais de três séculos de exploração é ainda pouco conhecido: a perda de vidas humanas e a destruição do meio ambiente em episódios recorrentes na história do povo mineiro.
Tratando sobre a extração de ouro no Morro de Pascoal da Silva, em Vila Rica, em 1717, o Conde de Assumar deixou registrado em seu diário que os negros faziam “huns buracos mui profundos aonde se metem, e pouco a pouco vão tirando a terra para a lavar; porém esta sorte de tirar ouro he mui arriscado, porque sucede muitas vezes cahir a terra e apanhar os negros debayxo deitando-os enterrados vivos”.
O Barão de Langsdorff, ao percorrer região de Mariana em 1824, registrou: “passamos por um vale pobre e árido, por onde ocorre o rio São José, turvo pela lavação do ouro e em cujas margens se veem montes de cascalhos, alguns até já cobertos de capim. É difícil imaginar uma visão mais triste do que a deste vale, outrora tão rico em ouro”.
Em meados de 1844, na Mina de Cata Branca, município de Itabirito, à época alvo da exploração aurífera por uma empresa britânica, houve o desabamento da galeria explorada e soterramento de dezenas de operários escravos. Segundo os registros, dias depois do acidente ainda eram ouvidas vozes e gemidos dos negros em meio aos escombros. Ante a dificuldade de resgate, foi tomada a decisão de se desviar um curso d’água para inundar a mina, matando os pobres trabalhadores sobreviventes afogados, ao invés de espera-los morrer de fome.
Sobre o fato, José Pedro Xavier da Veiga deixou registrado nas suas célebres Efemérides Mineiras: “E lá estão enterradas naquele gigantesco túmulo da rocha as centenas de mineiros infelizes, que encontraram a morte perfurando as entranhas da terra para lhe aproveitar os tesouros. A mina conserva escancarada para o espaço uma boca enorme rodeada de rochas negras e como que aberta numa contorção de agonia”.
Em 21 de novembro de 1867, na Mina de Morro Velho, em Nova Lima, um desabamento matou dezessete escravos e um trabalhador inglês. Dezenove anos mais tarde, em 10 de novembro de 1886, a história se repetiu em Morro Velho. Mais recentemente, rompimentos de barragens nas minas de Fernandinho (1986) e Herculano (2014), em Itabirito; Rio Verde (2001), no Distrito de Macacos, em Nova Lima; e da Mineração Rio Pomba (2008), em Miraí, redundaram em dezenas de outras mortes e prejuízos irreversíveis ao meio ambiente.
No último dia 05 de novembro de 2015, em Mariana, o rompimento de duas barragens da empresa Samarco soterrou quase integralmente o Distrito de Bento Rodrigues, ceifou vidas, destruiu dezenas de bens culturais e danificou de forma severa os recursos ambientais de vasta extensão da Bacia do Rio Doce. Todos sabem que a história é mestra da vida e os fatos adversos por ela registrados devem servir de alerta para o futuro, para que os erros não sejam repetidos.
O aprendizado com os equívocos de antanho deveria impor ao setor minerário da atualidade uma completa mudança de paradigmas. Afinal, temos condições de sermos autores da nossa própria história e não podemos admitir a repetição reiterada desses desastres como algo normal, inerente às atividades econômicas de Minas Gerais.
Entretanto, percebemos que ainda se avultam as inconsequentes condutas induzidas pela ambição do lucro fácil e pelo desdém aos direitos alheios, não raras vezes secundadas pela omissão ou incompetência de autoridades públicas responsáveis pelos processos de licenciamento ambiental, que se contentam com a adoção de tecnologias ultrapassadas em empreendimentos de alto risco, que raramente são fiscalizados.
A anunciada flexibilização do licenciamento ambiental pelo Governo de Minas, com o nítido propósito de beneficiar, entre outros, o seguimento dos empreendimentos de mineração, segue na contramão do que a sociedade mineira espera e precisa: segurança e respeito aos seus direitos.
É hora de dizer um basta.
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Marcos Paulo de Souza Miranda, coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais
Veja uma compilação de artigos. SUGESTÕES, indique nos comentários.
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http://www.ecodebate.com.br/…/o-rompimento-da-barragem-da-…/
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DÁ LÁ LAMA


Mil anos de retiro espiritual não bastariam
Para que as mineradoras pagassem a penitência
Porque pelo crime
Jamais pagarão
Mariana:
Cidade antes histórica
Mariana existe somente na história
Memória de quem um dia a visitou
Tristeza dos que lá a vida deixou
Dá lá lama em Mariana
Hoje tu jaz em lama
E viraste marilama...
Se esta cidade...
Se esta cidade fosse minha
Eu mandava...
Eu mandava lapidar
Com pedrinhas de mármore cada nome
Que a vida lá ficou pra eu lembrar...
Não. Impossível!
A lama um dia há de secar
E a terra batida
Se tornará um deserto
Seca e dura
Ferrada...

Sinto uma tristeza enorme em cada imagem que vejo e o rastro que a destruição deixou e ainda há de deixar...
Imagens: Pawla Kuczynskiego, chargista polonesa, nascida em 1976 em Szczecin, graduou-se pela Academia de Belas Artes, de Poznan, especializando-se em imagens gráficas. Desde 2004, produz ilustrações satíricas e até agora já recebeu 92 prêmios e distinções. Em 2005 recebeu o prêmio "Eryk", da Associação de Caricaturistas Poloneses. Esta ilustradora, recém descoberta, tem também um recorde de prêmios em competições internacionais.