terça-feira, 4 de abril de 2017

ESTEREÓTIPOS

Uma longa pausa que se transforma em um tranquilo silêncio até o momento da roda de conversa sobre estereótipos. Nesse interstício, o pensar poético viaja...
Desabrochadas pétalas em palavras
que vagueiam flor em flor...
A semente que recicla e cria
A vida dos mensageiros
Seres puros sem purismo
Que fazem das palavras
Um motivo para se viver
quem sabe as personagens
Ou outras vidas se preciso for...



Parabéns pelos poemas em pétalas recitados em prosa em cada palavra tua: MULHER!...




os poemas em pétalas recitados em prosa em cada palavra tua: MULHER!...

ESCRAVIDÃO



Dono de seu espírito
E não da alma que se liberta
Durante o sono e em sonhos
Fugidios dos grilhões que envolvem membros
Naqueles usurpados corpos
Que sequer sabiam da invasão alheia
Quando fisgados em teias
Seguiram direto para a senzala
Porque a casa grande não lhes acolhia
Muito menos os cabia...
Eu, capitão do parto...
Dei-te luz e ensinamento
Na condição de aprendiz
Contei cada estrela do céu
E, percebi o teu claro escuro brilho
Bem distante lá no firmamento
Para que no romper dos anos
Me tornasse o seu vassalo
Hoje, por ti, luto e venço, penso...
Não mais entro em luto...
Somente em lutas...

NEGÓCIO

Eustáquio Braga estava  se sentindo incomodado.
N
E
G
ÓCIO
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Eustáquio Braga .......
NNNNNNN
NNNNNNE

NNNNNEG
NNNNEGO
NNNEGOC
NNEGOCI
NEGOCIO


Minhas crias andam soltas, sujas da poeira cósmica e livres a navegar...
Sem rumo; sem destino; sem itinerário; ponto de parada ou ponto final.
Livre e com cabelos ao vento
pouco importa o ronco do motor
basta a barriga não ter mais que roncar...

PROCURA-SE: VIDA

Procura-se
Um espírito
Não simplesmente
Uma alma...
Procura-se
Um rosto
Não somente
Um corpo...
Procura-se
Uma pessoa
Não restritamente o seu registro
Um Cadastro de Pessoa Física...
Procura-se
Uma imagem
Não tão somente o foco
Uma película escondida...
Procura-se
Um documento ou um registro
Não erroneamente um laudo falso
Um Atestado de Óbito sem o corpo presente...
Procura-se
Um passado perdido
Jamais esquecido...
ditadura nunca mais
DEMOCRACIA SEMPRE MAIS...

Eustáquio Braga estava  se sentindo confiante.
VVVV VVVV VIDA
VVVI IVVV VVID
VVID DIVV VVVI
VIDA ADIV VVVV
C
Sabe aqueles dias que bate um cansaço imenso e tudo que você necessita é de uma pequena pausa de pelo menos um ano para recarregar as energias boas. Depois 13.113 dias de contribuição e um não sei quanto de trabalho, percebo o quanto investi esperando completar somente os 12.775 necessários para alcançar à aposentadoria, mas hoje nem sei ao certo quantos dias ainda restam e parece que nem cheguei perto desse sonho....

GATO RAJADO

com preguiça de subir no telhado
enfadado de caçar gatas na madrugada
um gato rajado trepou na pia
saltou para arriba do fogão
derrubou a tampa da panela
comeu todo o arroz, a carne e o feijão
porque gato escaldado não come ração
para não ser alvejado
ou novamente rajado
pulou de volta para o chão
com o mesmo olhar de inocência
deu um longo miado: naaaaaaaaaaaaaaaauuuuuummmmmm...
afirmando que não....

Sabe aqueles dias que bate um cansaço imenso e tudo que você necessita é de uma pequena pausa de pelo menos um ano para recarregar as energias boas. Depois 13.113 dias de contribuição e um não sei quanto de trabalho, percebo o quanto investi esperando completar somente os 12.775 necessários para alcançar à aposentadoria, mas hoje nem sei ao certo quantos dias ainda restam e parece que nem cheguei perto desse sonho....

quinta-feira, 23 de março de 2017

TERCEIRIZAÇÃO

QDO ESSE PL DA TERCEIRIZAÇÃO VIRAR LEI AÍ É Q A PREVID. SOCIAL VAI PARA O BELELÉU! 5% DE CONTRIB. DO EMPREGADO E 0% PATRONAL


NÃO PENSE EM TERCEIRIZAÇÃO: TRABALHE...
SEM DIREITOS, MAS TRABALHE DURO ATÉ A MORTE PQ CONTRIBUINTE FACULTATIVO NÃO APOSENTA

O LAÇO

Hoje, subindo a ladeira da Alameda das Latânias, ouço um burburinho. Uma voz que ecoa entre árvores e carros estacionados: para aqui ó!; volta; para aqui!
Bem de longe, procuro e não encontro, o motivo de tamanha algazarra. Fito os olhos entre o passeio e uma velha lixeira abandonada. Lá... bem distante; longe para que pudesse enxergar, mas perto para que pudesse perceber um carro velho dobrando a esquina.
Mais um pouco de barulhos estranhos, era Domênica gritando com alguém que estacionava um veículo distante de sua casa. De soslaio, ela foi na direção do carro que voltara um pouco, mas não o suficiente para que a sua filha respondesse o seu chamado.
Nesse instante, percebi que a moça já estava fora do carro e quem o conduzia era o seu marido, que pouco se importava com as lamúrias de Domênica.
Enquanto o trio barulhento entrava em acordo, eis que surge por detrás de todos ela, Maria Flor. Mais rápida que um outro carro que descia a alameda, a doce e saltitante cadelinha passou de passagem pelos seus donos e por trás daquele carro. Houve uma pequena pausa na conversa da família. Todos simultaneamente começaram a gritar o seu nome: Maria Flor; Maria; Flor; Maria Flor...
Neste intervalo, consegui me aproximar dos simpáticos vizinhos, mas estava do outro lado do passeio. Maria Flor toda feliz com o seu laço colorido sequer me olho. Ela passou por como um raio...
Depois de várias apelos e chamados em vão, Maria Flor escolheu entre os três supostos donos, Dona Domênica. Parou; encolheu-se; deu mais algumas sacudidas no laço; lambeu o traseiro; e, ergueu as suas patas dianteiras toda feliz e se entregou à sua dona.
Pensei em até tirar uma fotografia da cena, mas refleti um pouco e não quis invadir a privacidade da cachorrinha. Olhei para trás e vi que Domênica se esforçava muito para segurar a saltitante cadelinha, que sacudia no seu colo.
Acredito que no seu pensar canino, Maria Flor não se importava muito com o mata leão que recebera. Ela tinha uma expressão de pura felicidade.
Enquanto isso, eu sentia uma sensação de déjà vu, quando Maria Flor é novamente conduzida de maneira coercitiva para casa.
Todavia, hoje, sem dar uma palavra. Não latiu e nem rosnou, estava curtido a vida e o seu laço colorido.
C