sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

FELICIDADE

Na paz em que vivo
A felicidade não me sai cara
Coroa de flores que dispenso
Quando do momento do juízo sem final
Afinal o que é a morte senão um hiato
Entre vidas que regressam ao mundo espiritual
Se no excesso de volume dos rios
Aparecem as enchentes
Dementes seres sem alma
Calma tempestade que transborda ganância
Ânsia de seres que julgam poderosos
Que privatizam e capitalizam
Alheias vontades de terceirizados sonhos
Se há vida em meu corpo
Me contendo com única luz
Que mantém acessa minha centelha
Cessada a noite em silêncio
Assopro a vela somente para testar limite
Acinte de quem prioriza a quantidade
Felicidade de quem valoriza a qualidade...
[Assim, sendo a pobreza espiritual não existe fortuna que enriqueça essa alma ou que acalme o seu espírito porque a dor física é a que menos incomoda...

PEDRA

Ah se tivéssemos a sabedoria das pedras
Quem sabe de possuíssemos a sabedoria da rochas
Quiçá fôssemos uma jazida qualquer
Teríamos presenciado tudo em silêncio
Para naturalmente apenas relatar a histórias
Sem contá-la, sem cortá-la, sem forjá-la
Sem moldá-la, sem trapaceá-la, sem projetá-la...
Sem entalar com a pedra atirada pelo caminho...



Eu também acredito
que o vale é rico em cultura
que a Vale valia dez vezes mais
que o vale do rio era doce
que não vale a pena privatizar a vida
e que vale mais a terra que o mineral
porque a vale antes era do rio doce
virou lama virou morte virou drama
transborda pobreza porque a riqueza
matou o vale matou o rio matou a natureza
morta gente que governa vidas mas
matou o que era doce
amargo gosto da cobiça
que desacredita toda uma gente
demente autoridade que não vale o quanto pesa
apesar de tudo vale a pena continuar sendo:
honesto estudar trabalhar construir:
a vida o futuro o caráter a família as amizades e os amores...

NAVE

Passageira vida na terra
porque não em outra parte
marte é logo ali e não poderia ser diferente
qualquer planeta pode ser habitado
habilitado para outras formas de vida
sina da existência contestada
ante o desconhecido apenas imaginado
camuflada nuvem que abriga sonhos
imagina gazes e naves...
Carlos Figueiredo
12 hSão Paulo, SP
:00h. Por mais cético que eu seja é de arrepiar, ainda mais sendo uma foto de uma pessoa conhecida, que não tem nenhum interesse em se auto promover na internet. Então realmente é pra refletir, existe alguma explicação para essa imagem???

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

CRÉDITO DE AMOR

Quando nos conhecemos
Você em tom de brincadeira
Disse que viveria
Apenas dez anos ao meu lado
Depois me largaria
Porque talvez o desgaste de uma relação
Esse poderia durar no máximo dez anos
Hoje bem próximo de completar
Vinte e dois anos de relacionamento
Depois de mais duas renovações
Do contrato de namoro
Renovo os meus votos
Amor [é]terno amor
Por prazo indeterminado...
Porque não sabemos quantas vidas hemos de viver e quantos encontros nada secretos hemos de ter: Anita Nunes...
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IMAGENS DO NÓS

Nas cores alvinegras
Mostro mais que rostos
Imagens que retratam
Momentos esquecidos
Em um álbum que pode ser deletado
Mas da lembrança
Nada se apaga...
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IMAGENS DO EU


Uma sintonia esquisita
A vida nos revela várias imagens
Registros de uma mudança gradual
Momento exato da junção nada assimétrica
Métrica imperfeição de um poema tosco
Mas coberto de essência
Não de mero floreio ou simples aparência
Sabe aquele momento em que
Você descansa no ombro da alma
Que por sua vez relaxa ao teu lado
Dá para perceber a cor de sua aura
Que assustada com a flagrante captura sequencial de imagens
Simplesmente foge...